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22.3.12

O sonho por que tanto esperava


Quarta-feira, 21 de Março de 2012

Sonhei com ele. OMG não acredito. Eu sonhei mesmo com ele.
Depois de todo este tempo… Não percebo. Não estive toda a semana, ou o dia de ontem, a pensar nele. Nem tenho pensado muito nele (excepções e músicas à parte). Mas hoje sonhei com ele. Oh, se sonhei.

Foi perfeito.
Eu estava a conversar com não-sei-quem quando o Fake Gay Guy passa à minha frente com a namorada olhos de Falcão. Estavam os dois muito sorridentes, e o Fake Gay Guy tinha cortado (quase rapado) o cabelo – até que não lhe ficava mal, pelo menos no sonho – e ela mal olhou para mim. O que achei estranho foi nem eu dar muita importância ao facto de eles passarem mesmo à minha frente – o facto de haver uma carrinha entre o muro onde estava sentada e o caminho por onde eles passaram, fazia-nos tocar levemente só de passarem.
E depois, passado uns breves segundos, logo atrás, passou ele. O Gay Guy passou à minha frente, e eu quase nem liguei. Agora estou pasmada com o meu «eu» do sonho, visto que na vida real eu passo-me só de o ver. Ele continua a andar e eu continuo a conversar com o não-sei-quem, quando ouço alguém a perguntar-me:
- O que disseste?
Eu fico petrificada, o não-sei-quem desaparece do meu lado, e o Gay Guy pára à minha frente. Ele estava mesmo a falar comigo? Eu estava tão surpreendida no sonho como estou agora. O Gay Guy limita-se a ficar parado enquanto eu tento arranjar palavras. Sinceramente não me lembro o que respondi, ou se respondi de todo, mas isso não interessa. O que interessa é que, de repente, o Fake Gay Guy aparece, sozinho, e aproxima-se, cumprimentando-me com dois beijos na cara, como se fossemos velhos amigos (pormenor: estavam os dois de óculos de sol). Depois o Gay Guy senta-se a meu lado no muro, bem pertinho, e o Fake Gay Guy a seu lado. Eu estava expectante, a pensar porque raio estavam eles ali, comigo.
A conversa foi-se desenrolando. Ele perguntou-me como eu estava e se havia novidades.
- Nada de especial.
Quando ele insistiu acabei por lhe contar que me tinha mudado para Sintra, e depois permaneci parada e silenciosa a olhá-lo. Ele nada disse. Só agora percebo que eu estava à espera de um “Oh” ou “Que pena” da parte dele, e que fiquei decepcionada quando tal não saiu da boca dele, que por acaso estava muito perto da minha. Enquanto continuávamos a conversa, houve uma altura em que estávamos tão perto, com as cabeças tão juntas, e ele sorria-me intensamente, que me inclinei e murmurei-lhe ao ouvido:
- Pára de sorrir assim. Não consigo me concentrar a falar ou olhar-te quando me sorris assim.
Ele soltou uma gargalhada e quando tentou tapar o sorriso com a mão eu impedi-o, retirando-lhe as mãos da frente (primeira vez que alguma vez toquei nele) e murmurei, de novo ao ouvido:
- Não escondas.
Ele só se limitou a sorrir. Coisa mais fofa de sempre.
Foi por ai que a conversa tomou um novo rumo, quando ele me perguntou como ia a minha banda e se eu estava interessada em entrar na deles (aqui até o Fake Gay Guy falou). Eu parecia saber muito do assunto, e pelos vistos era boa a tocar bateria, e assim eles disseram que precisam de mim. Depois tudo mudou.
Já não estávamos no muro, mas sim na minha casa, quer dizer, na casa dos meus avós. De repente começaram ambos a andar de bicicleta e eu imitei-os. O sonho aqui tornou-se louco, desde corridas de bicicletas a concertos na garagem do meu avô. E é tudo o que me lembro.

Só me lembrei do sonho uns quinze minutos depois. Sentei-me no chão com imensa vontade de chorar, mas com um grande sorriso. Agora já sonhei com os dois.

19.2.12

Um pedaço de Para Sempre - As Crónicas de Maria



Ele ajoelhou-se à minha frente, expondo as suas calças caqui à terra no chão, facto que não parecia importar-lhe. De facto, a única coisa que lhe parecia importar era a minha presença e a sua atabalhoada busca por algo dentro do seu bolso do casaco. Quando pareceu finalmente encontrar o que quer que fosse, deixo-o no bolso, e, permanecendo ajoelhado como um cavaleiro faz à sua princesa, anunciou, como se fosse a coisa mais normal de se dizer, como um Olá ou um Adeus. Excepto que tais vulgares palavras não mudam a vida de uma rapariga como eu.
- Eu amo-te. Eu amo-te Maria. Este sentimento que percorre o meu ser está-me a consumir. Eu não sei de todo o que tu sentes, mas tenho a certeza que tu, Maria, sabes o que eu sinto. Já te dei todas as indicações que posso imaginar, e agora fico à espera da tua resposta. É claro que se não tivesse recebido resposta da tua parte não estaria aqui, a submeter-me a ti assim, desta forma. Mas preciso de ouvi-lo. Diz-me Maria. Porque se o desejares eu não te importunarei mais. É só dizê-lo. O que desejas, amor meu?
Isto não era uma decisão para se fazer de cabeça no ar. E muito menos uma piada. Mas à medida que Daniel falava, não pude evitar que na minha face se desenhasse um sorriso maior que o sol, e atrás dele impôs-se uma gargalhada, mais alta que o som dos pássaros à nossa volta, nesta manhã Primaveril. Neste momento não pude impedir a minha boca de pronunciar o jorro de palavras que me invadiram, saindo livremente na direcção do homem que se encontrava à minha frente.
- Oh Daniel, meu amor, claro que te amo! Pensei ter sido clara o suficiente a expressar os meus mais profundos sentimentos por ti. As minhas desculpas por tal burrice minha. Por favor, levanta-te desse chão imundo para te poder abraçar, meu querido. Não há nada que deseje mais neste momento do que ter-te nos meus braços para todo o sempre.
- Não sabes como a tua reposta me preencheu a alma, meu amor, e nada me faria mais feliz do que obedecer ao teu pedido, mas Maria, tenho algo que necessito de fazer primeiro.
Daniel procurou de novo no bolso do sei casaco, e desta vez, quando retirou a mão, não vinha vazia. Desta vez, na sua mão vinha uma pequena caixinha preta de veludo. Tenho a certeza que na minha cara estavam estampadas as maiores expressões de espanto e felicidade que o mundo já viu. Dentro de mim não cabia tamanha alegria, e só me apetecia berrar aos sete céus, saltar até conseguir voar, correr até me cansar. Tudo parecia possível neste momento.
- Maria Carolina da Silva Pereira, luz da minha vida, riso da minha gargalhada, felicidade do meu ser, batimento do meu coração, aceitas casar comigo?
- Sim! Sim! Claro que sim!
Estendi a mão, quase ser conseguir conter a minha felicidade. Apenas com muito esforço consegui impedir os meus pés de saltarem, de me lançarem no ar, livres para expressarem o meu fortuna. Daniel deslizou aquele pequeno objecto pelo meu dedo, um anel com um pequeno diamante de tons azulados, e beijou-me cada dedo da mão, até por fim se levantar, dando-me finalmente autorização para lhe saltar nos braços.

Autoria: ME {Zoey}

4.1.12

Sonho4#


Flower gleam and glow. Let your power shine. Make the clock reverse. Bring back what once was mine. Heal what has been hurt. Change the fate’s design. Save what has been lost. Bring back what once was mine, what once was mine.
 Estava num corredor sozinha a pensar naquele rapaz que não me ligava nenhum. Não me lembro exactamente dos meus pensamentos, mas sei que estava extremamente triste. Depois uma sombra apareceu junto a mim, no corredor. Ergui a cabeça e vi um rapaz loiro, alto e musculado um perfeito Jace, mesmo à minha frente. Sorria-me, um sorriso magoado. Era ele. Mas algo estava mal. Ele estava magoado. Muito. Cheio de nódoas negras e cortes cobertos de sangue seco. Sobressaltei-me e olhei-o preocupada. Eu gostava dele.
Estupidamente perguntei-lhe se queria que o curasse. Quando ele disse que sim, peguei-lhe nas mãos que ele me estendia, enquanto ele murmurava para ter cuidado com elas, pois estavam feridas, tal como o resto do seu corpo. Peguei~lhe gentilmente nas mãos e levei-o comigo até uma sala que tinha o aspecto de um escritório. Conduzi-o a uma cadeira, onde se sentou, e arranjei outra para mim, colocando-a em frente da dele. De seguida procurei analgésicos, betadine e algodão. Sentei-me na cadeira e comecei a tratá-lo, enquanto ele me olhava em plena adoração. Foi aqui que percebi que as minhas inseguranças acerca dele tinham sido estúpidas. Ele também gostava de mim. Sorri-lhe e aproximei-me, a passar algodão ensopado em betadine pelos cortes. Ele nunca largou o meu olhar, sorrindo.
Depois acordei.

(tenho quase a certeza que este sonho foi graças à Stevie Rae e ao Refaim)

29.12.11

The world is a filthy place, it’s a filthy goddamned horror show.


Psicologia: ciência que estuda os processos comportamentais e mentais.
Terapia: tratamento de uma determinada doença.

Jenny olhava para os papeis espalhados em cima da secretária. Todos diferiam em relação a questões tão simples, mas que naquela altura pareciam tão complexas. Alguém bateu à porta.
"Podes entrar" - murmurou Jenny para o vazio. Um rapaz, loiro e com mais sofrimento nos olhos do que deveria ser permitido alguém aguentar entrou pela porta do seu consultório. 'Mais um' pensou Jenny.
"Boa tarde" - Jenny sorriu-lhe, olhando para a ficha do paciente. John. Bonito nome. O que encontraria ela desta vez, depois de entrar na cabeça dele, depois de perscrutar cada cantinho da sua mente? Olhou John enquanto este se sentava. Parecia tão novo. Dezasseis anos, talvez. Olhou para a ficha, Sim, dezasseis. Jenny tinha estado a analisar este rapaz durante duas longas e intermináveis noites. Os pais tinham-no forçado a via às consultas. Era maluco, diziam. Pobre rapaz.
"Então, John, à quanto tempo andas a ter estes... sonhos?" - Jenny sabia não se tratarem de sonhos. Eram recordações. Do passado. 'Ele não reage bem a certas coisas' tinha-lhe dito a mãe de John. Isso era o que ela ia descobrir.
"À cinco meses."
"Conta-me sobre eles."
"Começam sempre de forma igual. Estou a caminhar por uma rua infinita. As pessoas passam por mim sem me olhar, sem se importarem com nada nem ninguém para além do seu próprio nariz. E quando dou por mim começo a matar todos os que passam por mim. É aqui que o sonho muda. Por vezes sinto-me mal quando o faço. Mas na maior parte das vezes isso agrada-me. Sorriu enquanto enfio a faca por cada pescoço, e quando disparo cada tiro da arma. Eu acho que estou a libertá-los de todo a dor deste mundo. Não acha? Ou acha que sou maluco, como todos o dizem? Ou um psicopata, como diz o meu pai?"

Terapia. Psicologia. No fim de contas, tudo ia dar ao mesmo. As pessoas só recorriam a estes métodos, a estes tratamentos, a estas ciências, quando pensavam serem malucos, ou quando se queriam sentir especiais. Porque é muito mais simples gastar o ordenado em consultas com um desconhecido do que enfrentar as consequências dos nossos actos. Do que enfrentar a realidade. Mas um dia isso teria de acontecer. Um dia isso tem de acontecer. E Jenny mal podia esperar por esse dia.

13.10.11

Terra Prometida


Tudo começou com um sonho, um desejo profundo, uma paixão inquebrável.
E tudo terminou com um sorriso.

Zoey tinha o necessário. Não tudo, mas o suficiente. Uma família chata, uma mão cheia de bons amigos e uma colecção infindável de sonhos e desejos. Ambições que penetravam no fundo da sua alma deixando um caminho de esperança para trás.
Uma rede, um bom livro sobrenatural e uma brisa do campo, acompanhada por música de fundo, era tudo o que lhe bastava. Claro que agora bem podia esquecer a rede, que fora substituída pela cama situada no quarto que partilhava com a sua irmã, e a brisa do campo, que fora substituída por uma brisa poluída por gazes, berros e buzinas. Uma autêntica selva dentro de uma cidade. Como dizia o seu professor de história, algumas pessoas andavam na vertical apenas por um acidente da natureza.
Mas o que interessava nesta história de vida era o sonho, a ambição, o desejo que mais ansiava ver realizado: estudar em Londres, a cidade prometida. Pelo menos para Zoey. Tudo nela a fascinava, desde a língua até à paisagem, passando pelo que mais importava, a educação. Nova York também era uma escolha a considerar, embora ela tivesse noção que estava fora do seu alcance, visto que se situava no outro continente, bem para lá da sua vista.

By: Me :D
To be continued ... quando houver outra aula secante

25.8.11

O sonho


Tudo começou com um primeiro sonho estúpido com a namorada do meu pai, que me estava a dizer que naquele dia iríamos aos Estados Unidos, mas não a NY, porque ficava muito longe. Sim, estúpido.
E depois veio O sonho ...

Era de noite. Uma noite normal, sem vento, sem tempestade ou lua. Encontrava-me dentro de um edifício semelhante a uma prisão, onde os seus prisioneiros eram animais. Animais que andavam em duas patas e que falavam. Como humanos normais, excepto que fisicamente eram animais.
O meu subconsciente gritava que já tinha tido este sonho antes, e não pude deixar de sorrir, pois sabia o que iria acontecer: o melhor sonho que alguma vez tinha tido estava prestes a repetir-se. Do que não estava à espera era que fosse ainda melhor.

Eu corria, corria o mais depressa que conseguia, o mais depressa que as minhas pernas o permitiam. Alguém corria a meu lado, fugindo do mesmo guarda mutante que eu. A cada esquina que virava, mais culpada me sentia por não poder libertar todas as criaturas, mas sabia que em breve todas sairiam livres. Mal ele aparecesse, tudo ficaria bem.
Quando finalmente consegui despistar o guarda, sentei-me num banco, enquanto o meu companheiro foi tentar enganar o recepcionista, também mutante. Enquanto esperava que ele conseguisse a informação necessária, olhei para o lado e vi um poster. Um poster de um filme que nunca pensara sonhar, visto só o ter visto uma vez, já no fim, e não ter sequer decorado o nome. Peguei no poster quando o meu companheiro chegou e me disse que tinha a informação. Virei-me com um sorriso, e foi quando ele me perguntou onde estava o Jace. O meu subconsciente continuava a gritar de euforia, dizendo que já sabia como maravilhoso iria ser este sonho.
Eu virei-me, comecei às voltas, a sorrir para o poster e a gritar pelo Jace. De repente parei. Jace estava mesmo à minha frente, uma sombra negra, uma beleza oculta pela escuridão. Sorri-lhe e perguntei-lhe se o poster era para mim. Jace saiu das sombras com um enorme sorriso dirigido a mim, ao mesmo tempo que me perguntava se eu gostava do filme, e que não fazia ideia que gostava assim tanto dele. Eu disse-lhe que sim, que adorava, e ele disse-me que podia ficar com ele, ao mesmo tempo que se sentava no mesmo banco onde outrora eu estivera sentada. Com todo o êxtase, larguei o poster e corri para ele, abraçando-o. Neste momento não conseguia dizer se o sonho era verdadeiro ou não. Parecia tão real. Eu queria tanto que fosse real. O seu cabelo loiro batia-me na cara à medida que eu intensificava o abraço. Depois de um segundo de espanto, também Jace me abraçou. Um grande sorriso desenhou-se em ambas as nossas faces. Aproveitei aquele momento o mais que me foi permitido, saboreei-o até ao último segundo. Depois, o meu sonho fez o que mais  gostava de fazer: teletransportou-me para um local completamente diferente, uma descida enorme de uma estrada, mais precisamente, para o passeio. Este era preenchido por relva verde, e por trás de nós encontrava-se algo que fazia sombra no local onde nos encontrávamos. A estrada estava deserta, sem carros que pudessem estragar o momento. À nossa frente encontrava-se uma vista linda, com um pôr-do-sol e um mar que ondulava tranquilo, bem no fundo, como se a paisagem fosse infinita.
Eu encontrava-me sentada na relva, enquanto ele estava deitado de lado, com a cabeça apoiada na mão, o ombro colocado na relva. Eu estava sentada à frente dele - o mesmo nome, Jace, mas uma cara diferente. Ambas as caras eu reconhecia: a primeira era o meu Jace - Alex Pettyfer - e a segunda cara era do Chuck - Ed Westwick.
Ficamos a falar durante bastante tempo de coisas que não me lembro. Depois aconteceu o segundo melhor momento do sonho, sendo que o primeiro foi obviamente o abraço. O Jace/Chuck começou a cantar uma música que já tinha aparecido antes no meu sonho, mas eu não sabia onde, apenas a reconhecia. Uma música inventada, umas letras esquisitas. Mas eu não conseguia pensar, porque a única coisa que me vinha à cabeça, a única coisa que o meu subconsciente e o meu eu do sonho conseguíamos pensar era que aquela era a voz mais bela que alguma vez tinha ouvido. Era uma voz indescritível, muito masculina, muito parecida com a voz do Chuck [da série Gossip Girl], um pouco rouca como apenas a voz do Chuck conseguia ficar. Era bela. Era magnifica. E era apenas minha. A canção era para mim.
Ele continuou a olhar em frente, para o mar e para o pôr-do-sol, e eu fiz a coisa mais estúpida que podia fazer: deitei a minha cabeça nas suas pernas. Não queria que ele parasse de cantar, e pensei que se me deitasse na sua barriga, como tanto desejava, que ele iria parar de cantar e ficar paralisado. Então apenas fiquei ali deitada, a ouvi-lo a cantar, até acordar.


Ao acordar mantive os olhos fechados. Queria tanto voltar para o sonho. Mas os meus esforços não surtiram resultado e tive de me levantar, com vontade de chorar por não conseguir voltar, mas ao mesmo tempo com um grande sorriso.
E foi assim que aconteceu o melhor sonho da minha existência.

2.8.11

Sonho#


No sonho era tudo tão simples. Cada movimento era acompanhado por uma leve brisa que me era indiferente.
Perdera a minha mala. Estava desesperada à sua procura. Mas não desesperada o suficiente para falar com quem não importava.
Parei, olhando para o vazio. Estava um dia cinzento, esquisito. Normalmente os meus sonhos costumavam a ser solarengos, mas não nesse dia. Não chovia, não havia uma única erva a mexer, o céu não soltava a sua raiva divina. Nada se passava. Parecia apenas mais um sonho, até que o impensável aconteceu.
Ele apareceu. Cuidadosamente, sorrateiramente. Como sempre fizera. Apanhou-me de surpresa, aparecendo por trás de mim, abraçando-me e fazendo cócegas na minha barriga, que já de si estava cheia de borboletas.
Um arrepio subiu-me pela espinha acima. Era mesmo ele, dizia-me a mente, enquanto o meu eu do sonho me dizia que não o conhecia. Recusava-me a reconhece-lo.

Quando me virei, a minha mente cedeu. Continuava o mesmo. O mesmo sorriso que me derretia. A mesma pele bronzeada que me fazia querer abraça-lo.
Hoje não estava suficientemente forte para recusar tal pedido do meu corpo. Tal como acontecia de cada vez que ele aparecia nos meus sonhos.
Parecia tão alto, foi o que pensei de imediato. A minha mente estava em choque, por me ter atrevido a sonhar com ele de novo. Só conseguia pensar Como o vou abraçar se ele é tão alto? Se meter os braços à volta do seu pescoço vou ficar a baloiçar que nem uma idiota A tentar evitar o inevitável. O quão estúpida fui por tentar. Acabei por ceder ao desejo, decidindo-me a abraça-lo pela cintura, tal como ele fizera à alguns segundos atrás.
Foi o melhor sentimento do mundo. Estando a sonhar ou não, sei que o senti. Embora estivesse "inconsciente", deitada na cama a sonhar mais uma vez com quem no passado me fizera feliz, sei que estive todo o sonho presente. Senti tudo, saboreei cada momento como se fosse o último e acima de tudo disse o que devia dizer, e não o que queria dizer. Uma conversa formal, nada íntimo. Não iria suportar isso.
Depois de um Já não te via há tanto tempo! e um É verdade! Já sentia saudades! em resposta, a conversa morreu ali ou pelo menos foi o que pensei. Sei que continuamos a falar, pois ouvia as nossas vozes, mas eu apenas me importava com uma coisa: ele estava ali e eu estava a abraça-lo! A abraça-lo com tanta força que não sei como não lhe parti umas quantas costelas. Ele não se importava, apenas sorria e continuava a conversa, abraçando-me de volta, passando as mãos pelas minhas costas, deixando o seu cheiro impregnar a minha pele.

Definitivamente o melhor sonho que já alguma vez tivera. E posso garantir que me despedaçou o coração quando me virei um segundo para falar com alguém e ele desapareceu. Fiquei destroçada. Partida. Senti tudo com tanta clareza, que quando acordei, limitei-me a chorar. Chorei tudo: a perda, os maravilhosos momentos passados e os erros cometidos, as palavras carinhosas que recebi e não dei de volta, os elogios que me faziam corar, as piadas que me faziam chorar de felicidade, as pequenas coisas que não soube apreciar. mas acima de tudo chorei a saudade. A saudade por alguém que me foi querido, que ainda mo é e que o iria sempre ser.

31.7.11

Desespero#


O vento batia-lhe na cara enquanto a música fazia crescer uma felicidade interior que a fazia esquecer o mundo exterior, como se de um apagador mágico se tratasse. Bolas, ela precisava disso mais do que tudo!
Tudo parecia bem. Tranquilo. Os cinco gatos da sua irmã encontravam-se deitados, a descansar depois de mais um dia de fugir do cão que os atormentava. O mesmo cão que a fazia soltar uma gargalhada a cada minuto que passavam juntos. Nesse momento de tranquilidade a vida deles parecia mais difícil do que a dela. Apenas naquele momento.
Ela continuava a baloiçar na sua rede e a cantar desafinadamente a letra da música que tanto conhecia e adorava. Depois, o seu espírito foi atormentado por uma outra música, uma melodia que ela esperava não vir ouvir, não agora, não depois de todo este tempo. O desespero invadiu-a quando, ao olhar para ao visor do seu telemóvel, confirmou o que temia.
Atendeu. Cinco minutos depois tinha a certeza que os seus planos tinham sido deitados ao chão e espezinhados mais uma vez pelo seu pai. Será que aquilo lhe dava prazer?
Pois, parecia que sim.

24.7.11

Walk away

 
Just walk away ooh
and don't look back
cause if my heart breaks it's gonna
hurt so bad
you know I'm strong
but I can't take that
before it's too late
ooh just walk away 

Ela virou-se, já farta da música. Ou talvez fosse de chorar. Lágrimas traiçoeiras escorriam-lhe pela face, como se de rios se tratassem, deixando um caminho de dor e mágoa.
Chorar era melhor do que pensar, isso doía demais. Chorar era como uma libertação, e ela precisava desesperadamente disso. Talvez assim tudo passasse. O desespero, a culpa por uma felicidade que não queria aceitar, a tristeza que a despedaçava por dentro e por fora até tudo o que restar ser um nada, um vazio insuportável. Hoje vestira a primeira coisa que lhe tinha aparecido, pois não havia tempo a perder com pormenores tão insignificantes.
O sol batia-lhe na cara, secando os rios de amargura, que depressa se transformavam em desertos vazios e abandonados, sem nada nem ninguém para plantar neles, que novamente ficavam inundados. Colocou os auscultadores, decidida a ignorar o som de uma voz indesejada naquele momento. A música voltou a inundar os seus ouvidos como se de um cortejo fúnebre se tratasse. A única diferença situava-se no facto de que ninguém estava de facto a ser enterrado, pelo menos não no sentido exacto da palavra, e que ninguém derrama lágrimas com ela. Estava tão sozinha nisto, como em tudo o resto. A chorar a alma sozinha no seu próprio funeral, enquanto todos se riam, felizes pela tão desejada partida.  

23.7.11

Desabafo#


A paisagem era arrepiante. De tirar o fôlego. O vento batia-lhe na cara, levantando-lhe o cabelo e fazendo a sua pele arrepiar-se num calafrio, até a saia preenchida de missangas voava, numa tentativa de ser livre, livre como o vento, livre como os sonhos de uma criança. Sim, era para isso que ela ali estava. Para ser livre. Para ser uma criança, um ser pequeno e inofensivo. Para poder alcançar todos os seus sonhos, os que tanto ambicionava, os que lhe preenchiam a alma até à mais pequena célula. No fundo, ela sabia, e sempre soube, que iria ser difícil. Uma tarefa quase impossível. Que apesar de tanto a desejar, parecia sempre haver uma rajada que lhe levava tudo, até mesmo a esperança. Mas ela também sabia que, apesar de pequena, tinha um grande coração, uma grande ambição, um grande sonho e uma grande vontade de viver, de viver os seus sonhos, de viver a vida como se de um passeio no campo se tratasse. Com felicidade, prazer e diversão. Com um sorriso sempre presente.
Uma sombra apareceu, delicada e lentamente, colocando-se por cima da sua própria sombra, de si já tão pequena. Por um momento pensou ver o vislumbre de um casaco tão dela conhecido, mas tudo o que viu quando se virou, com o vento ainda a puxar-lhe consecutivamente o cabelo contra a sua face, foi nada. Uma partida da sua mente. Ou talvez um pássaro. Retirou os auscultadores dos ouvidos adornados com delicados brincos de prata e desligou a música que lhe inspirava a alma e lhe fazia pensar em coisas, pessoas, momentos e sentimentos que não devia.
Nada tinha mudado. Os pássaros continuavam livres, o vento continuava selvagem e as crianças continuavam com os seus sonhos. Só ela é que estava perdida, quebrada e desolada. Sozinha num mundo cheio. Só ela sabia o que era enfrentar um dia com um sorriso, quando tudo o que queria era fechar-se no seu exemplar quarto, a derramar a sua solidão em lágrimas cada vez mais espessas e abundantes.

O meu primeiro textinho (':